Muito antes dos reinos humanos erguerem suas muralhas e coroas, existia um domínio oculto sob raízes ancestrais e rios subterrâneos: o Reino das Serpentes. E no coração desse mundo secreto reinava uma figura tão temida quanto reverenciada — a Rainha das Serpentes.
Seu nome era Nyxara.
Da cintura para cima, era de uma beleza quase sobrenatural, com olhos dourados que brilhavam como joias vivas e uma expressão serena, porém indecifrável. Seus longos cabelos escuros se misturavam às sombras, como se fossem feitos da própria noite. Mas da cintura para baixo, seu corpo se estendia em uma imensa cauda de serpente, coberta por escamas iridescentes que refletiam tons de esmeralda, âmbar e violeta.
Diziam que Nyxara nasceu de um pacto antigo entre a Terra e o Tempo. Quando o equilíbrio do mundo ameaçou ruir, as forças primordiais deram origem a ela — uma guardiã destinada a manter a harmonia entre o que rasteja e o que caminha.
Seu trono não era de ouro, mas de raízes entrelaçadas e pedras antigas, pulsando com energia viva. Ao seu redor, milhares de serpentes de todas as formas e tamanhos a serviam, não por medo, mas por devoção absoluta. Cada sussurro delas carregava segredos do mundo — histórias de reis, guerras e traições que jamais alcançariam ouvidos humanos.
Nyxara governava com sabedoria silenciosa. Não buscava guerras, mas também não temia travá-las.
Certa vez, um império humano, sedento por poder, descobriu a entrada para seu reino. Encantados pelas histórias de uma rainha imortal, acreditaram que poderiam capturá-la e usar seu poder. Marcharam com espadas, tochas e arrogância.
Mas o que encontraram não foi uma rainha indefesa.
Quando invadiram as profundezas, o chão começou a se mover. As paredes respiravam. O som de milhares de escamas ecoava como uma tempestade viva. E então ela surgiu.
Nyxara deslizou das sombras com uma presença esmagadora. Seus olhos não expressavam raiva, apenas um julgamento inevitável. Sem levantar a voz, apenas com um gesto, convocou seu exército.
A batalha foi breve.
Os que sobreviveram jamais voltaram a falar com clareza sobre o que viram. Alguns diziam que a própria terra engoliu os invasores. Outros juravam que ouviram a rainha sussurrar seus nomes antes de desaparecerem na escuridão.
Desde então, nenhuma coroa ousou desafiar seu domínio.
Mas nem tudo em Nyxara era frieza e poder.
Em noites raras, quando o mundo acima silenciava, ela subia até a superfície e observava as estrelas. Havia algo nelas que a chamava — uma saudade sem origem, um eco de algo que talvez nunca tenha vivido.
Pois, apesar de ser rainha, guardiã e lenda… havia nela um mistério maior que seu próprio reino.
Dizem que, se alguém de coração puro encontrá-la sob o céu estrelado, poderá ouvir sua verdadeira história.
E talvez descobrir que até mesmo a Rainha das Serpentes guarda, em silêncio, um desejo impossível: ser livre de seu destino… nem que seja por um único amanhecer.
Nenhum comentário:
Postar um comentário